O Homem Celeste


A Imagem Divina

Por Clemência, Piedade, Paz e Amor
todos rezamos na aflição;
e para tais virtudes deliciosas
se volta a nossa gratidão.

Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor
é Deus, o nosso pai adorado;
e Clemência, Piedade, Paz e Amor
o Homem, Seu filho e Seu cuidado.

Pois a Clemência tem um peito humano,
e o Amor forma humana celeste,
e um rosto humano tem a Piedade,
e a Paz exibe humana veste.

Assim todo homem, pelo mundo afora,
que reza em sua humana dor,
pede só à divina forma humana
Clemência, Paz, Piedade, Amor.

E amar a forma humana devem todos,
sejam pagãos, turcos, judeus;
onde habitam Clemência, Amor, Piedade,
ali também habita Deus.

William Blake

Deus, por Alberto Caeiro

(...)


Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
de quem, por não saber o que olhar para as coisas,
não compreende quem fala delas
com o modo de falar que reparar para elas ensina.)






Mas se Deus é as flores e as arvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as arvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e arvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e arvores e montes,
Se ele me aparece como sendo arvores e montes
E luar e sol e flores, é que ele quer que eu o conheça
Como arvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e arvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
 
O Guardador de Rebanhos
Alberto Caeiro

Uma reflexão sobre o Homem

Tudo está em movimento.

O físico não atravessa o físico.
O vital não atravessa o vital.
O emocional não atravessa o emocional.
A mente não atravessa a mente.
O Homem atravessa-os a todos.

Tudo vibra pelo embate ou por simpatia, pelo grosseiro ou pelo subtil.
Todas as coisas são a mesma coisa em estados distintos de vibração.
O subtil ocupa o mesmo espaço que o grosseiro, o espírito ocupa o mesmo espaço que o físico.

O vital atravessa o físico.
O emocional atravessa o vital.
O mental atravessa o emocional
O Homem faz vibrá-los a todos.

O homem que se olha ao espelho não vê a sua verdadeira Essência, vê uma vibração da matéria original.

A sua vista física mostra-lhe um corpo físico.
A sua vista vital mostrar-lhe-ia um corpo vital.
A sua vista emocional mostrar-lhe-ia um corpo emocional.
A sua vista mental mostrar-lhe-ia um corpo mental.
O homem ainda é cego na sua vitalidade, nas suas emoções e na sua mente.
O homem trabalha na obtenção dos seus olhos e na perfeição dos seus corpos, para que a imagem seja feita à sua Imagem.

O verdadeiro observador encontra-se para além da mente.
Da mesma forma que o homem não é a casa onde habita, da mesma forma que o Homem não é os corpos que ocupa.
Aquele que compreende a imagem do espelho é o homem, aquele que projecta a imagem do espelho é o Homem.

O Homem é como o Sol, um sol dentro da casa de vidro da mente, dentro da casa de vidro das emoções, dentro da casa de vidro da vitalidade, dentro da casa de vidro do seu físico.

Cada uma destas casas tem as suas cores, os vidros são assim coloridos.

O homem que se olha ao espelho vê a manifestação matizada da luz que o Sol, o Verdadeiro Homem, irradia, não a pura luz, mas uma luz colorida. Foram as cores dos vidros que a matizaram.
O homem que se olha no espelho vê uma ilusão.
O homem que se olha no espelho Vê a sua personalidade.
O homem que se olha no espelho não vê a sua verdadeira Essência, a sua Individualidade.

Para te conheceres a ti mesmo, para conheceres o que é teu e o que julgas que te pertence mas não é teu, o que verdadeiramente És, tens de operar sobre as cores dos teus vidros e tornar os mesmos transparentes. Desta forma, quando esse dia chegar, aquele que se observar ao espelho será ele mesmo.

Conhece-te a ti mesmo.

Fraternalmente, Azoth :.

Atlântida

“Muitos e poderosos são os feitos da vossa cidade realizados para admiração da humanidade. E há um que, pela sua grandeza e nobreza, se sobrepõe a todos. Pois as nossas crónicas falam de um grande adversário que a vossa cidade conquistou em tempos antigos, uma potência que avançou com injustificada insolência sobre toda a Europa e Ásia, partindo do oceano Atlântico. Pois nessa época era possível atravessar o mar, uma vez que existia uma ilha em frente da boca do estreito, que se chama, como vós dizeis, as Colunas de Hércules.

Essa ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas; e, a partir dela, os marinheiros desses tempos tinham passagem para as outras ilhas, e destas ilhas para todo o continente oposto, que limita esse oceano justamente assim considerado.

Pois essas regiões dentro do estreito mencionado parecem ser apenas uma baía com uma entrada estreita; mas é na verdade um oceano, e a terra que o rodeia pode, com grande verdade e propriedade, ser chamada de continente.

Nesta ilha, Atlântida, surgiu uma grande e maravilhosa potência de reis, que dominavam toda a ilha e muitas outras, e partes do continente; e, para além disso, a Leste do estreito, dominavam a Líbia até ao Egipto, e a Europa até às fronteiras da Etrúria. Assim, esta potência reuniu todas as suas forças e procurou, de um só golpe, escravizar o vosso país e o nosso e toda a região no interior do estreito.



Então Sólon, o poder da tua cidade brilhou nos olhos de todos os homens, gloriosos em valor e força. Pois, sendo os melhores à face da terra em coragem e nas artes da guerra, por vezes a vossa cidade liderou os helenos, outras vezes ergueu-se forçosamente isolada quando todos os outros desertaram; e, depois de passar pelos maiores perigos, ela venceu os invasores e triunfou sobre eles, e salvou da escravidão as nações que ainda não estavam escravizadas; quanto aos restantes, os povos que viviam deste lado das Colunas de Hércules, a vossa cidade libertou-os com mão generosa. Mas, mais tarde,, depois de imensos terramotos e inundações, abateu-se um dia e uma noite de destruição; e os guerreiros do teu país foram, como um só, engolidos pela terra, e do mesmo modo a ilha da Atlântida afundou-se sob o mar e desapareceu."

(...) 






Timeu
Platão

Viver o agora.



“Aprendi a viver cada dia como se me depara e a nunca pedir problemas emprestados por recear o amanhã.”

Dorothy Dix

Dia Mundial da Filosofia

19 de Novembro


Dia Mundial da Filosofia

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